Quem pode prever?

QUEM PODE PREVER?

                                                                                             Antonio Carlos Ascar

Todos estão atrás do futuro. Todos querem conhece-lo. Mulheres vão a cartomantes saber sobre seus amores e futuros casamentos. Todos leem diariamente o seu horoscopo nas colunas dos jornais. E é claro que os varejistas querem prever suas vendas para melhor orçarem suas compras e não micarem com estoques ruins. Também querem saber qual o melhor caminho para o futuro de suas lojas. Bem como quais os formatos varejistas que vingarão e quais os que vão perder mercado. Prever os formatos que serão bem sucedidos é o que sempre me pedem para falar ou escrever.

Nesta nova edição anual da revista Panorama, cujas edições anteriores foram um sucesso, o pedido não é uma exceção. Vamos então primeiro conhecer o mercado atual, agrupando os diversos formatos de varejo de alimentação, conforme suas finalidades, conforme seus diferentes tipos de consumidores e seus momentos de compra.

1 - Este grupo esta centrado no formato de compra de conveniência, o que nos leva as pequenas lojas bem localizadas e próximas a você ou no seu caminho de circulação.

2 - Lojas étnicas têm crescido muito em países com diferentes culturas, consequentes de grandes imigrações, como os Estados Unidos e o Canadá. Quando puderem, vão conhecer o Publix Sabor, e Fiesta nos Estados Unidos, T&T no Canada ou o Super K no Brasil entre outros.

3 - Um público mais exigente quer qualidade e boa experiência de compra. As lojas diferenciadas ou up scale ocupam esse espaço. Falo do Wegmans, Whole Foods, Loblaw e no Brasil o Santa Luzia e o St Marche entre outros.

4 - Buscando preço baixo e variedade os consumidores vão atrás das grandes superfícies que vendem quase de tudo. Incluem-se aqui os hipermercados, os supercenters e outros grandes formatos.

5 - Aqui preço é o mais importante. É quase só o que oferecem. Falo dos formatos de desconto, sucesso na Europa e já se espalhando pelo mundo. São pequenas e médias lojas como as Dollar Store, Aldi, Lidl, Dia%, Plus, Assai, etc.

  6 - Neste sexto grupo ficam os formatos que não se enquadram nos cinco primeiros. Porém o destaque é para novas formas de venda como a Internet, máquinas, loja com drive through, sites de compra coletiva entre tantas outras.

E o caminho futuro? - As lojas estão diminuindo de tamanho. Só se fala em “Express e To Go”. - No mundo a frase do momento é “Small is the new big”. (Pequeno é o novo grande) - Hipermercados caindo de 10 para 6.000 m² de área de venda - Supermercados girando ao redor de 1.000 a 1.500 m² - Clientes deixando de estocar para o mês. - Praticidade e conveniência é o futuro. - Todos querem mais compras mensais, rapidez e nada de estocar alimentos. - O mundo está tão difícil, que todos exigem serviço e solução de refeição. - Afinal cozinheira já é um artigo muito raro. - O mundo também está perigoso e comprar sem sair de casa é mais seguro. E assim vão crescendo, no mundo, os formatos que satisfazem essas atuais necessidades. Falo das lojas pequenas, qualquer que seja sua proposta, de Hard Discount a Urban Store, são elas pequenas e médias, além da Internet que cresce em progressão geométrica.

A Europa já operava esses formatos pelas características de seus povos, das cidades e de suas culturas. Os Estados Unidos também começou a querer lojas menores, só que para eles “menores” significa lojas de mil a dois mil m². O Brasil já tem alguns exemplos como o Mercadinho Extra. A lista de redes que estão tentando e operando estes formatos no presente e planejam um róseo futuro já é grande, com muitos miúdos e graúdos ainda querendo entrar. Sainsbury Local Marks Spencer Simply Food Tesco Express Fresh & Easy Fresh & Easy Express Carrefour City Wal-Mart Express Mercadinho Extra Rewe To Go Get Go Bon Preu Rapid E tantos outros já em operação. Fala-se hoje em uma Revolução dos Pequenos Supermercados.

Os formatos maiores como hipermercados, supercenters, clubes, etc. vão continuar a existir, mas não vão crescer em unidades como vinham crescendo. Mas também não vão morrer.

Falando em morrer, já passamos do dia 21 de dezembro? Então o mundo não acabou? Assim as previsões maias não aconteceram. E tantas outras também não ocorreram. Vejam as previsões do governo sobre inflação, crescimento, PIB e outras. Estão sempre mudando, para baixo, as projeções originais e mesmo assim não acertam.

Quem pode saber sobre o futuro? Não me culpem se tudo for diferente do que escrevi aqui, sobre o futuro do varejo alimentício. Encerro lembrando que em dezembro de 2011, escrevi em minha coluna What’s Up da revista SuperHiper:

“O caminho parece irreversível para os próximos anos. Abaixo a grande loja. Vida longa ao Small is beautiful. Ao Small is the new big”. Por enquanto estou coerente e no mesmo caminho.

Antonio Carlos Ascar

Diretor da consultoria ASCAR&ASSOCIADOS

Consultor de Varejo da Abras

Fonte: SUPERHIPER DEZ. 2012